Boa parte das recomendações práticas de design de interface tem origem em literatura de psicologia cognitiva anterior à web. Vale revisitar os conceitos, porque eles explicam por que certas decisões funcionam — e evitam que virem regra decorada.
Memória de trabalho é pequena
A capacidade de manter informações ativas simultaneamente é bastante limitada. Isso implica que uma interface que exige lembrar de algo visto na tela anterior está cobrando um custo caro. Formulários longos sem indicação de progresso, menus que escondem o estado atual e páginas de venda que apresentam a oferta muito longe da decisão pedem esse esforço extra.
A consequência prática não é "simplificar tudo", e sim reduzir o que precisa ser retido. Repetir a informação-chave próximo do ponto de decisão custa pouco espaço e economiza esforço do leitor.
Carga intrínseca, extrínseca e relevante
A teoria da carga cognitiva separa o esforço inerente ao conteúdo do esforço imposto pela forma de apresentação. Um tema difícil tem carga intrínseca alta — não há como eliminá-la. Já a carga extrínseca vem de ruído: tipografia inadequada, contraste insuficiente, agrupamento incoerente, animação desnecessária. É a única camada que o design pode reduzir sem empobrecer o conteúdo.
Por isso, em material educativo, decoração compete diretamente com aprendizado. O ornamento não é neutro: ele ocupa um recurso finito.
Legibilidade e agrupamento
Comprimento de linha, entrelinha e contraste afetam velocidade e conforto de leitura de forma mensurável. Os princípios de agrupamento perceptual — proximidade, similaridade, região comum — explicam por que espaçamento comunica estrutura melhor do que linhas divisórias na maior parte dos casos. Um bloco separado por respiro é lido como unidade sem precisar de moldura.
O que fazer com isso
Três verificações cabem em qualquer revisão de página ou material: o leitor precisa lembrar de algo que não está visível? Existe elemento que consome atenção sem entregar informação? A estrutura visual corresponde à estrutura lógica do conteúdo?
Não são regras de estilo. São restrições de funcionamento, e sobrevivem a qualquer mudança de tendência visual.
